Relatório da ONU revisa metas para a proteção da vida marinha e mostra
que é preciso fazer muito mais do que já foi feito até agora para
proteger as águas profundas. Se mantivermos o mesmo risco, muitas vidas
do mar podem desaparecer.

A proteção dos oceanos é uma necessidade cada vez mais urgente, devido
ao alto nível de degradação que temos hoje. Apesar de serem fundamentais
para a vida no planeta, os oceanos não recebem o cuidado devido para
evitar problemas de poluição e perda de biodiversidade, entre outros.
O Greenpeace vem alertando os governos para a necessidade de acabar
imediatamente com atividades destrutivas para águas profundas. "É
ultrajante que quase três anos depois das diretrizes propostas pelas
Nações Unidas, os países tenham feito muito pouco - ou quase nada - para
realmente impedir a pesca de arrasto regulamentada em alto mar", disse
Farah Obaidullah, da campanha de oceanos do Greenpeace Internacional.
A resolução do ano de 2006 da ONU estabeleceu medidas a serem
implementadas pelos Estados-membros, a fim de proteger a vida em alto
mar em águas internacionais. Tais determinações incluem também a
realização de avaliações de impacto ambiental, identificando as regiões
mais vulneráveis e garantindo que a pesca de arrasto não poderia ser
realizada. As medidas valeriam a partir de 31 de dezembro de 2008.
Apesar disso, em junho de 2009, o Coalizão pela Conservação de Águas
Profundas publicou a sua própria análise, que concluiu que, em todos os
oceanos, os Estados-membros e organizações regionais de pesca (ORP)
estão longe de viver de acordo com os compromissos assumidos em 2006.
Mesmo nos poucos lugares onde as avaliações de impacto foram realizadas,
eles só foram parcialmente concluídas ou não foram conclusivas. Muitas
áreas onde os ecossistemas marinhos vulneráveis são reconhecidos ou
prováveis de ocorrer, permanecem abertas à pesca de fundo com poucas ou
nenhuma limitação. Finalmente, onde foram tomadas medidas, estas são
muitas vezes fracas e oferecem pouca proteção à vida marinha.
Durante anos a comunidade científica, governos e as organizações
ambientalistas em todo o mundo, têm alertado para os impactos
devastadores da pesca de arrasto a longo prazo. A prática acaba com a
vida de vastas extensões de mar, incluindo os frágeis ecossistemas de
águas profundas e os corais que podem viver milhares de anos.
"Se
continuarmos no ritmo atual de destruição, em poucas décadas os
habitats mais profundos e misteriosos do nosso planeta vão desaparecer
para sempre. Se os países que pescam não podem ou não vão cumprir com o
que prometeram, é melhor que parem de pescar.", concluiu Obaidullah. O
Greenpeace cobrará à Assembleia Geral da ONU que peça um fim imediato à
pesca de arrasto adotada pela Assembleia Geral em 2006.
Link: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/pesca-de-arrasto-n-o/